O Centro da cidade do Rio Janeiro é, por características históricas, um grande centro de negócios, comércio e serviços. De baixíssima densidade demográfica. É predominantemente ocupado por centros comerciais, culturais, espaços executivos, sedes de grandes instituições e empresas de grande porte, além de muitos equipamentos públicos. Possui mais de 67 mil empresas de diversos portes e microempreendedores individuais, que representam em torno de 460 mil postos formais de trabalho, sendo de grande importância para a economia da cidade e da Região Metropolitana.
O contexto após março
A pandemia de Covid-19 trouxe o período que envolve quarentena, isolamento social e adoção massiva de home office em empresas e instituições públicas. Dessa forma, o Centro da cidade enfrenta um período de esvaziamento de circulação de pessoas nos seus escritórios e prédios comerciais. Isso faz com que qualquer dia da semana, hoje, no Centro, mesmo depois da flexibilização das regras de isolamento, se assemelhe a um grande sábado do antigo normal.
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A incerteza do retorno de uma circulação normal ou ao menos próxima do normal, faz com que pequenos negócios sediados nesta região enfrentem grande dificuldade de seguirem adiante com as suas operações. Sabemos que esse cenário também afeta outros grandes centros de negócios do mundo. Mas essa circulação é menos afetada em bairros que possuem uma densidade demográfica maior.
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Boa parte dos pequenos negócios instalados no Centro do Rio tem modelos que dependem essencialmente da circulação de pessoas ou de sua permanência nos equipamentos corporativos. Mesmo os que possuem operações remotas ou logística de entregas, como pequenos comércios e estabelecimentos de alimentação, dependem quase que na totalidade do perfil de cliente que circula no Centro. O público executivo, em boa parte, sumiu. E boa parte dele poderá não voltar, trabalhando remotamente ou em modelos híbridos, alternando trabalho presencial e remoto.
As dores:
Segundo dados do Sebrae Rio, desde o início da pandemia, há quatro grandes dores para os pequenos empresários: entender o que mudou no consumidor; aprimorar o atendimento digital; conciliar o atendimento digital com o presencial, e organizar o próprio espaço para maior segurança. E, hoje, o que acontece no Centro da cidade tem impacto direto em todas essas principais dores.
As dúvidas:
Os pequenos empresários sediados no Centro também encontram um ambiente hostil ao pensarem seus próximos meses. Pois, certamente há muito mais dúvidas do que certezas.
– Quanto tempo ainda irá durar essa grande adesão ao home office?
– No pós-vacina, qual será o impacto dessa mudança de cultura de trabalho?
– É possível que no longo prazo o perfil da região mude para se tornar um local com maior parcela residencial? Se sim, isso demoraria anos e dependeria de uma mudança estrutural absolutamente complexa.
– O que pensam disso as grandes empresas sediadas, com estrutura, operações e negócios na região? Seus ativos físicos, como suas sedes próprias, também podem se desvalorizar.
– Que Centro da cidade queremos no futuro? Um lugar pulsante, ocupado, que junte história, cultura, negócios e vida presente? Ou um Centro degradado, esquecido, desvalorizado em todos os aspectos?
Oportunidades na crise?
Certamente setores como Economia Criativa e Turismo são essenciais para uma reocupação futura do espaço, criando novas oportunidades de negócios, trabalho e ajudando a ressignificar o território. Entender também como o setor público e as grandes empresas sediadas na região planejam seu futuro, em 2021, será fundamental para estabelecer estratégias de recuperação para o Centro e para os pequenos negócios.
Importância de buscar apoio contínuo para reorganização ou mudança de rumo
Um volume considerável de empresários busca, mas outro contingente não busca apoio externo para avaliação desses cenários para uma tomada de decisão. Mesmo quem já se orientou, se adaptou, conseguiu crédito nesse período precisa constantemente dessa busca de informação atualizada, consistente, para a tomada de decisão correta. O cenário seguirá incerto e muito volátil.
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Dessa forma, mitiga-se a chance de interrupção da operação e abrem-se perspectivas de alternativas de reposicionamento. Em um cenário tão incerto isso deve ser feito de forma constante e interrupta. Ressalto que o Sebrae está à disposição dos pequenos empresários do Centro do Rio, por meio de seus canais de atendimento digitais, de acordo com as regras sanitárias vigentes no momento.
