A tradição, a cultura e a excelência do terroir do Médio Paraíba fluminense colocaram Valença em destaque no 4º Mundial do Queijo do Brasil, realizado entre os dias 16 e 19 de abril, em São Paulo. O município conquistou 13 medalhas, incluindo duas na categoria Super Ouro, a mais alta da competição.
O principal destaque foi o Capril do Lago, do produtor Fabrício Vieira, responsável por seis medalhas: um Super Ouro, um ouro, uma prata e três bronzes. O reconhecimento máximo veio com o queijo Sapucaia do Lago, produzido com técnica que une inovação e tradição regional.
“Estamos muito felizes: o Super Ouro colocou o Sapucaia entre os melhores do mundo, sendo o único queijo de cabra nessa lista”, comemora.
Mais do que técnica, o produto carrega um forte resgate cultural.
“Fazemos de uma forma muito artesanal dentro da cuia da sapucaia, que era a árvore sagrada dos povos originários que viviam aqui”, explica Fabrício.
Além do Super Ouro, o Capril do Lago conquistou medalha de ouro com o Boursin em conserva de leite extravirgem, prata com o requeijão aerado da serra e três bronzes com queijos desenvolvidos em colaboração com cervejaria e vinícola.
A força de Valença no Mundial também se refletiu em outras queijarias. O Laticínio Marquês de Valença conquistou um ouro, com o queijo Minas Padrão, e duas pratas, com os queijos Cecília e Serra da Glória — produtos que carregam história e identidade familiar.
“É com uma enorme satisfação trazer essas premiações no Mundial. O nosso queijo padrão, que já está há mais tempo no portfólio, evoluiu de uma medalha de bronze em 2024 para ouro este ano. Já o Serra da Glória homenageia o bairro onde tudo começou, e o Cecília nasceu de um momento especial da nossa família”, destaca o mestre queijeiro João Guilherme.
A diversidade da produção local também garantiu destaque para além dos queijos. Carlos Pontellino conquistou a medalha Super Ouro com o Doce de Leite de Búfala, enquanto a Queijaria Esperança levou ouro com o Queijo Esperança e o Vale do Vento ficou com a prata no Doce de Leite Tradicional.
A coordenadora do Sebrae Rio no Médio Paraíba, Paola Tenchini, reforça que os resultados são fruto de um trabalho estruturado. Segundo ela, além dos produtores que participaram da competição, o Sebrae Rio, em parceria com o APL do Café, também apoiou a ida de outros empreendedores para expor e comercializar seus produtos durante o evento.
“A participação no Mundial amplia a visibilidade dos produtores e posiciona Valença como um dos principais polos de queijos e derivados lácteos artesanais do estado. Isso abre novas oportunidades de mercado para toda a região”, afirma.
Presidente da Associação dos Queijeiros do Vale do Café e produtora no Sítio Vale do Vento, Isadora Malafaia ressalta o impacto coletivo da participação no evento, que reuniu mais de 2.600 produtos de diferentes países.
“Foi uma experiência extremamente enriquecedora, com troca de conhecimento e muita visibilidade para a produção artesanal da nossa região. Com apoio do Sebrae Rio, Valença tem se destacado cada vez mais no cenário queijeiro, fortalecendo a identidade local, a economia e o turismo”, completa.
