Para Bernardo da Silveira, empreendedor de Aperibé, a mudança começou ao perceber que precisava dividir responsabilidades e reservar tempo para planejar. Para Dilma de Oliveira, dona de uma confecção de roupas íntimas e moradora de São José de Ubá, veio com a clareza sobre como organizar a empresa. Participantes do Empretec em 2025, os dois empresários do Noroeste Fluminense contam como os aprendizados da capacitação do Sebrae Rio passaram a orientar suas decisões.
Bernardo conhecia bem a sensação de terminar o dia sem concluir o que havia planejado. Envolvido na produção e na solução de imprevistos, acabava deixando outras necessidades do negócio para depois. Por indicação de um profissional do Sebrae, pesquisou sobre o Empretec, ouviu relatos de participantes e decidiu se inscrever.
A experiência, realizada no final de 2025, trouxe uma descoberta que antecedeu as mudanças na gestão: a confiança na própria capacidade.
“O que mais me marcou foi perceber que eu era capaz de solucionar problemas e fazer coisas que antes não imaginava conseguir. Isso mudou minha autoestima e minha confiança”, conta.
Com esse novo olhar, Bernardo identificou a necessidade de preparar outras pessoas para assumir tarefas e dar mais espaço ao planejamento da empresa.
“Muitas vezes, a gente fica na produção, resolvendo problemas e apagando incêndios. Lá, entendi a importância de ensinar outras pessoas, confiar na equipe e passar os processos. Hoje, tenho mais tranquilidade para tomar decisões”, afirma.
Estabelecer metas e dividir os objetivos em etapas também passou a fazer parte de sua rotina. Segundo o empreendedor, cerca de 70% das metas definidas a partir da capacitação já foram cumpridas. Ele reconhece que ainda há pontos a desenvolver, especialmente no treinamento da equipe.
“A gente quer ganhar dinheiro, mas nem sempre sabe aonde quer chegar. Aprender a organizar as metas e definir o que precisa ser feito mudou minha percepção como empresário e também na vida”, relata.
Um novo olhar sobre a própria empresa

Dilma chegou ao Empretec com uma inquietação: sabia aproveitar oportunidades, mas sentia falta de organização para conduzir a confecção. Em 2025, participou de seis dias de capacitação em Itaperuna e encontrou espaço para rever sua atuação à frente do negócio.
“Eu costumo dizer que era empreendedora, mas não era empresária. O Empretec me trouxe clareza sobre como administrar e lidar com a empresa”, explica.
A persistência já fazia parte de sua trajetória. A partir da experiência, Dilma passou a associar essa característica à busca por referências e conhecimentos que ajudassem a estruturar a confecção. Observar outros empresários e aprender com suas experiências tornou-se uma forma de pensar os próximos passos.
“Passei a buscar oportunidades com outros olhos, aprender com pessoas que estavam mais adiante e trazer esse conhecimento para a minha empresa. Isso me ajudou a pensar em estratégias e a ter uma confecção mais organizada”, destaca.
Para a empreendedora, a aplicação do aprendizado acontece de forma contínua, conforme surgem situações e decisões no cotidiano.
“A maneira de encarar e enxergar as coisas fica diferente. A gente vai escolhendo o que aplicar, colocando em prática e melhorando. É uma experiência que traz clareza sobre como administrar e gerir”, afirma.
Comportamentos que ajudam a conduzir o negócio
As mudanças relatadas pelos dois empreendedores estão relacionadas à proposta do Empretec: desenvolver comportamentos que contribuam para a gestão dos negócios. Desenvolvido pela Organização das Nações Unidas (ONU) e realizado exclusivamente pelo Sebrae no Brasil, o programa trabalha dez características do comportamento empreendedor, como persistência, busca de oportunidades e iniciativa, estabelecimento de metas, planejamento e autoconfiança.
Para Nelson Rocha Filho, coordenador regional do Sebrae Rio no Noroeste Fluminense, os relatos mostram como o desenvolvimento do comportamento empreendedor pode se refletir no cotidiano das empresas.
“O Empretec ajuda o empreendedor a olhar para a própria atuação e perceber o que precisa mudar para conduzir melhor o negócio. Nas experiências de Bernardo e Dilma, vemos esse aprendizado se transformar em atitudes: delegar tarefas, planejar, estabelecer metas e buscar conhecimento. São mudanças que fortalecem os pequenos negócios e contribuem para o desenvolvimento do Noroeste Fluminense”, destaca.
Nas histórias de Bernardo e Dilma, esses aprendizados aparecem em escolhas concretas: preparar a equipe, organizar processos, definir objetivos e buscar conhecimento para tomar decisões.
“É um divisor de águas. Eu ouvi isso de outras pessoas, mas só entendi quando vivi a experiência. Meu conselho é aproveitar cada momento e levar o que aprendeu para fora do Empretec”, recomenda Bernardo.
