Alexandre Ramos, um engenheiro químico de 35 anos formado pela UFRJ, representa a sexta geração de uma família dedicada à cafeicultura no distrito de Santa Clara, em Porciúncula. O nome da marca é uma homenagem ao seu tetravô, um imigrante português que iniciou o plantio na região hoje conhecida como o Alto Noroeste Fluminense, formada pelos municípios de Porciúncula, Varre-Sai, Bom Jesus e Natividade.
“Desde pequeno acompanho minha família no campo, aprendendo que o segredo está no carinho com cada etapa do processo — do plantio à colheita”, lembra Alexandre, que atualmente comanda a produção na Fazenda Cachoeira, em Santa Clara, distrito maior produtor de café no estado do Rio de Janeiro.
Embora a família sempre tenha produzido café, o negócio era focado em commodities (café cru em sacas). A virada de chave ocorreu a partir de 2014, quando Alexandre e seu pai decidiram focar na qualidade e no valor agregado. Em 2018, plantaram uma lavoura com variedades modernas e espaçamento correto, já visando a produção de cafés especiais.
“Não queríamos apenas plantar café, mas sim oferecer uma experiência única em cada xícara. Isso exige cuidado, técnica e, sobretudo, coragem para inovar mantendo as tradições familiares”, afirma.
O suporte do Sebrae Rio foi decisivo para transformar a produção artesanal em um negócio competitivo, alinhando-se à campanha “Sebrae perto de você, do início ao sucesso”.

Como parte do programa Sebraetec, Alexandre recebeu uma consultoria para monitoramento da lavoura, análise de solo e, principalmente, orientação no pós-colheita, etapa que define o café como “especial” através da secagem e seleção de grãos maduros.
“Foi o Sebrae Rio, inclusive, que nos auxiliou no registro de patentes e marcas, permitindo que o primeiro pacote do Café Manduca chegasse ao mercado em setembro de 2022”, conta Alexandre.
A concretização da visão empreendedora veio com a construção da torrefação dentro da fazenda, finalizada em 2023. Esse passo permitiu a Alexandre controlar todo o processo, desde a lavoura até o produto final pronto para consumo.
A participação em eventos como o Festival do Café no Museu da República (Catete) e a Semana Internacional do Café (SIC), em Belo Horizonte, deram visibilidade à marca. Isso possibilitou que um pequeno produtor alcançasse grandes redes de supermercados, chegando inclusive à capital fluminense.
“Sem o apoio do Sebrae Rio teríamos levado muito mais tempo para alcançar o nível de mercado que temos hoje. A participação de produtores do Alto Noroeste na SIC, a maior feira de café do país, com apoio do Sebrae Rio, vem permitindo que o Brasil conheça os cafés especiais da nossa região, gerando uma procura cada vez maior pelos nossos produtos”, explica o produtor rural.
O negócio de Alexandre faz parte de um movimento maior. O Sebrae Rio, em parceria com entidades como Emater e Senar, capacitou mais de 40 famílias no Alto Noroeste Fluminense por meio do projeto ‘Valorização dos Cafés Especiais do Rio de Janeiro’. Atualmente, a região produz cerca de 30 marcas de cafés de alta qualidade, muitas delas já premiadas.
O Café Manduca é um exemplo de sucesso, tendo conquistado o 1º lugar no concurso de Porciúncula em 2023, superando 65 amostras.
“O que começou como uma tradição de família hoje é também um compromisso com a excelência e com o futuro da nossa terra. O Sebrae Rio nos mostrou que é possível sonhar grande sem perder nossas raízes”, conclui Alexandre.
